

Apesar de não estarem incluidas no Roteiro, nas proximidades existem cidades que também escreveram páginas de nossa história, e merecem serem visitadas, inclusive pela próximidade com as demais do Circuito.

ARAÇARIGUAMA

Em 1590, o mameluco Affonso Sardinha, conhecido como Capitão-Mor de São Paulo de Piratininga registra ter encontrado ouro de lavagem nas proximidades do Morro do Vuturuna, sendo este o marco histórico da formação de Araçariguama. Em 04 de Dezembro de 1605 Affonso Sardinha eregueu uma capela aos devotos de Santa Bárbara ao pé do Morro do Vuturuna, nos arredores do local hoje conhecido como morro do Cantagalo, onde descobriu-se um vasto veio aurífero em Araçariguama, sendo ela (Santa Bárbara) a protetora dos mineiros e dos militares. Entre 1625 e 1640, com a disperSão e fixação dos fazendeiros e bandeirantes de Santana de Parnaíba por Áreas próximas, principalmente às margens do rio Tietê em Araçariguama, muitos desses bandeirantes paulistas aqui se fixaram, (sempre em função da exploração aurífera) inclusive na Fazenda Novo Horizonte, onde hoje funciona o Restaurante Casarão 54, mantendo até hoje o estilo arquitetônico intacto. Em 1648 foi edificada a capela de Nossa Senhora da Penha, onde Gonçalo Bicudo Chassin, deu início ao vilarejo que mais tarde se tornaria o povoado de Araçariguama, sendo construída em taipa de pilão. Em 1653 a capela foi elevada à condição de paróquia e hoje é a matriz do município e foi uma das mais importantes do território então pertencente à vila de Parnaíba. A igreja localiza-se na Área central do município e nas proximidades do “Morro do Vuturuna”, onde outrora se encontravam os principais veios auríferos de São Paulo, explorado por Affonso Sardinha, já em 1590. Entre 1650 e 1653 foi construída em parte da Fazenda Araçariguama, adquirida pelo Capitão-mor, Guilherme Pompeu de Almeida, a capela de Nossa Senhora da Conceição, nas proximidades do ribeirão do colégio, onde hoje esta localizado o bairro do Rio Acima, constituindo-se no decorrer do tempo na mais importante edificação religiosa em território araçariguamense, principalmente pela notoriedade e respeito da família que mandou construí-la, pois detinham posses em toda a região que ia de São Paulo às Minas Gerais. Em 1688 foi edificada pelo padre Guilherme Pompeu de Almeida, a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição tendo sido construída para atender as atividades religiosas dos administradores e escravos das fazendas da família, local hoje conhecido com Sitio dos arboza. Em 12 de fevereiro de 1844 através da lei nº. 10 Araçariguama foi desanexada de Santana de Parnaíba e incorporada à Vila de São Roque onde se tornou freguesia, com a mesma denominação. À partir de 16 de Abril de 1874 através da lei nº. 43, foi elevada a categoria de município desmembrando-se de São Roque. Não obtendo autonomia administrativa, como ocorrera em Santana de Parnaíba, sofreu um processo de estagnação Político-administrativa.

PIPAPORA DO BOM JESUS
Pirapora do Bom Jesus, o último município da Grande São Paulo banhado pelas águas do Rio Tietê, situa-se na Região Oeste da Grande São Paulo, a 54 quilômetros da Praça da Sé, com uma população aproximada de 15 mil habitantes e 99 km² de extensão territorial, com clima tropical e a 668 metros acima do nível do mar. Foi fundada em 25 de maio de 1730 e oficializada em 06 de agosto de 1730. A sua emancipação política se deu em 31 de dezembro de 1958.
Origem
A origem do seu nome vem do Tupi Guarani que significa Peixe (Pira) que pula (Pora), pois os peixes na desova tentavam pular para cima da cachoeira. Em 1725, a imagem de madeira do Senhor Bom Jesus, Santo Padroeiro da cidade foi encontrada numa corredeira, apoiada numa pedra do Rio Tietê, por José Almeida Naves, dando origem ao 1º Centro Cristocêntrico do Brasil.
Encontro da Imagem
A história narra que José Almeida Naves decidiu transportar a imagem para o município de Santana de Parnaíba, quando o carro de seis juntas de bois atolou na estrada. Contam os relatos que vários homens tentaram em vão retirá-lo, quando se acercou um surdo-mudo destes homens e disse: “coloquem uma só junta e a imagem voltará de onde saiu”. Os homens seguiram seu conselho e o carro saiu do atoleiro. Pasmos eles ficaram, pois este surdo-mudo nunca falara antes. No local onde aconteceram os fatos, foi erguida uma capela e esta notícia se espalhou rapidamente. Iniciaram-se assim as primeiras romarias, com os devotos cumprindo suas promessas e banhando-se nas águas milagrosas do “Beco do Rio Santo”. Desde então, a cidade vem recebendo um grande número de romeiros, tanto em datas religiosas, quanto nos finais de semana.
Importância do Tietê
Pirapora do Bom Jesus é banhado pelo Rio Tietê, antigo Rio Anhembi e este fator foi de extrema importância na fundação do município. Em suas águas, originou-se o nome da cidade, navegou a Imagem Milagrosa do Padroeiro e durante muitos anos foi fator de contribuição para desenvolver o povoamento da região, servindo como via de transporte e comunicação, gerando energia, doando seus peixes para sustento dos habitantes e animais, irrigando a vegetação, proporcionando lazer ao deslizar carinhosamente os barquinhos e cedendo sua beleza paisagística para encantar a visão de quem visita a cidade. A Serra do Ivoturuna, tombada pelo CONDEPHAAT, rodeia a cidade com as belezas naturais de sua altitude, flora e fauna. Seu nome significa “Montanha Negra” e foi atribuído pelos índios devido à cobertura de vegetação de tonalidade escura, que em determinadas épocas do ano chegava a “escurecer” a paisagem do entorno do povoado. Possui nascentes de água e cachoeiras, inclusive vertentes que abastecem Pirapora. Devido a sua altitude, pode se avistar todo o município, além de cidades vizinhas até a Rodovia Castello Branco.
Santuário do Senhor Bom Jesus
Largo da Matriz - Centro O Santuário localizado no Lardo da Matriz é um monumento datado de 1793. Sua arquitetura em estilo jesuítico europeu abriga valiosas imagens, vitrais, afrescos, além da Sagrada Imagem do Senhor Bom Jesus. Na fachada do Santuário, se encontram duas belas estátuas, de São Pedro e São Paulo, e duas bicas d´água potável, saindo da boca de máscaras de figuras mitológicas. Os vitrais datados de 1950 retratam a história do encontro da Imagem do Padroeiro.
Em seu interior, encontramos diversas imagens sacras e ao fundo podemos avistar a Imagem do Senhor Bom Jesus colocada em um nicho central. No forro do Santuário, foram pintados belíssimos afrescos de arte sacra, com motivos litúrgicos, datados de 1902. Diariamente, são celebradas missas e em fins de semana há maior variedade de horários, devido às romarias.
A tradição popular e oral conta que José de Almeida Naves, morador de Parnaíba, encontrou, no seu sítio, situado no bairro chamado Pirapora, por volta de 1725, encostada numa pedra no rio Anhembi, uma imagem do Bom Jesus, que levou para sua casa, onde colocou num altar doméstico para que o povo pudesse fazer aí suas rezas.
No livro Tombo da Paróquia de Santana de Paraíba encontramos a primeira referência oficial à Imagem do Bom Jesus. Era a resposta que Pe. João Gonçalves Lima, pároco de Parnaíba, nos anos de 1797 a 1839, mandou, no 27 de outubro de 1825, aos quesitos do circular da Cúria de São Paulo sobre as capelas de Parnaíba.
"Em distância de duas léguas para parte norte, junto à margem do rio Tietê e Salto de Pirapora, existe a Capela do Senhor Bom Jesus – Ecce Homo – ( Eis o Homem); a gloriosa e veneranda imagem é o Orago dela e foi achada milagrosamente na beira da aguada e pesqueiro do mesmo sítio, na margem do dito rio. Só talhada em madeira e depois aperfeiçoada, e estabelecida a sua Capela perto do lugar de sua invenção”
Ao pedido de José de Almeida Naves, que requereu a necessária licença para construir, nas suas terras, uma capela, com seu adro e cemitério próprios, veio, aos 07 de maio de 1725 o despacho nos seguintes termos: Passe provisão de licença que damos para o suplicante poder fazer uma Capela em uma fazenda que tem distante da Vila de Parnaíba duas léguas na Comarca de São Paulo para nela dizer missas...
Em 1730, o Padre Jacinto de Albuquerque Saraiva, Pároco de Parnaíba, nos anos de 1726 a 1732, benzeu a Capela do Senhor Bom Jesus e aos 06 de agosto, do mesmo ano, celebrou a primeira festa em louvor ao Senhor Bom Jesus.
No mesmo livro de Tombo da paróquia do Santana de Parnaíba consta que em 1887 a então Capela de Bom Jesus, após uma reforma geral , foi elevada a Santuário, por Dom Lino Deodato de Carvalho, DD. Bispo de São Paulo, continuando sempre na dependência da Paróquia de Parnaíba
A pedido de Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Bispo de São Paulo, chegaram em 26 de dezembro de 1896, os primeiros cônegos premonstratenses para assumirem a direção do santuário. Eles vieram da Bélgica e pertencem à Ordem Premonstratense, fundada em 1121, por São Norberto em Premontré, um lugarejo situado no norte da França.
Em 28 de dezembro de 1897, o Santuário do Senhor Bom Jesus com suas terras adjacentes foi desmembrado da Paróquia de Santana de Parnaíba e canonicamente erigido em Paróquia, sendo no mesmo dia nomeado, o primeiro Pároco, o Cônego Vicente Van Tongel, o. prem., que tomou posse na missa de 02 de janeiro de 1898.
A paróquia do Senhor Bom Jesus, cuja Matriz é o Santuário, que com a criação da diocese de Jundiaí em 1966, foi desmembrada do diocese de São Paulo, é a sexta paróquia mais antiga desta diocese. Ela abrange toda a superfície do Município de Pirapora do Bom Jesus. Tem uma área de 99 Km2 e está situada à 695m de altitude conforme o marco em frente à Igreja Matriz.
A paróquia continua a ser administrada pelos Cônegos Premonstratenses, que além do Santuário, também administram o Seminário, que foi construído por eles em 1897. Foi durante mais de quarenta e cinco anos a sede do “Seminário Menor Metropolitano da diocese de São Paulo”, foi seminário Menor e Maior da Ordem Premonstratense e hoje é residência dos cônegos premonstratenses. Também funcionam neste prédio: a casa de formação dos jovens religiosos da Ordem, o museu “São Norberto“ e casa de encontros de jovens.




O Rio Tieté
Em Tupi, Tietê significa "caudal volumoso", porém o que confere a esse rio grande importância é o seu significado histórico e o papel econômico. O Tietê está diretamente ligado às conquistas territoriais, realizadas pelos Bandeirantes que desbravaram os sertões, fundando povoados e cidades ao longo de suas margens. Confira em História.
Apesar de não se tratar de uma cidade, o papel que este importante rio representou na hostoria bandeirista, é tão importante que não podemos deixar de cita-lo.
Pouco resta para ver, mas conheça mais de sua hist´rio, clicando nas figuras a seguir:
Em Salto, a partir da cachoeira, o rio Tietê corre por entre muitas pedras até as imediações da Ilha Grande, onde se apresenta calmo. Nesse remanso, ao sopé da colina na qual está a rocha Moutonnée, estaria o porto Góes (ou porto do Góes). Existem indícios de que tal porto foi ponto de partida alternativo de algumas expedições rumo a Cuiabá – as monções. Alternativo pois tinham como local de partida preferencial o porto de Araritaguaba, a Porto Feliz dos dias de hoje. O mesmo raciocínio se aplica quando do retorno Cuiabá, tendo-se o porto Góes como local de desembarque. Percorrer a distância entre porto Góes e Araritaguaba por água em que pese a existência de pequenos trechos encachoeirados – teria suas vantagens, em especial o menor tempo gasto para se chegar a vilas como Itu, Parnaíba ou São Paulo.
As monções eram expedições de transporte de pessoas e mercadorias diversas – tais como mantimentos, ferramentas, tecidos, armas e munição – além do ouro extraído das minas descobertas nas primeiras décadas do século XVIII. E era esse ouro o carregamento principal das viagens de retorno. Em algumas ocasiões, tocaias foram armadas com o intuito de subtrair o ouro carregado por monçoeiros. E foi em torno de uma situação dessas que se constituiu a lenda do tesouro do Salto de Ytu.
Tendo a informação de que um grupo de batelões subia o rio Tietê com o intuito de alcançar o último remanso antes da cachoeira, um numeroso grupo de homens se pôs a esperar por eles na região em que o ribeirão Guaraú, afluente da margem esquerda, deságua no rio Tietê. Apesar do ataque surpresa, o enfrentamento teria durado dias – tempo suficiente para que o carregamento de ouro fosse enterrado entre uma pedreira e outra, dentre as tantas existentes naquele terreno. Contudo, passados alguns dias, os expedicionários recém-chegados foram derrotados, sendo dizimados por completo, acredita-se.



